Rápida resenha de Os Sertões, Euclides da Cunha

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Marcela Bezerra

Que o romance Os Sertões, de Euclides da Cunha é um relato bastante científico acerca de Canudos, não podemos discutir. Adepto do determinismo, teoria que prega a influência que o meio e contexto histórico exercem sobre o homem, Euclides chegou a dividir o romance em três partes, altamente condizentes com a citada teoria. O autor foi testemunha ocular de toda a desgraça e miséria sofrida por aquele povo tão desafortunado e decidiu-se por fazer um relato com alguns traços românticos, porém muito esclarecedor do que se passava.

Há muitas discussões sobre Canudos. Uma das mais frequentes é quanto ao motivo que desencadeou o sangrento conflito. Um motivo que para muitos foi considerado tolo, assim tomando Antônio Conselheiro por fanático e violento. Porém Euclides criou um cenário baseado em suas observações, sempre buscando relacionar as ações daquele povo sertanejo às características do determinismo. Era um povo esquecido por todos, vivendo em condições degradantes, miseráveis. A obra é extremamente rica em informações e detalhes da região, e em certo ponto da sua segunda parte, ao tratar de questões antropológicas, o autor chega a afirmar que o sertanejo é tão castigado pelo ambiente em que vive que sua capacidade psíquica foi afetada, diminuída. Ao todo em seu relato sobre Canudos teve aspectos geográficos, sociológicos e científicos. Euclides procurou ser o mais imparcial possível.

O embasamento científico, os dados apresentados pelo autor, a meu ver foram da maior importância e relevância. Não enxergo um ponto onde percam sua validade. A obra alavancou sua carreira devido ao fato de a população intelectualizada da época ter seu interesse despertado ante a um relato tão rico. Fosse uma “simples” narrativa do que ocorreu, ou romance apenas inspirado em Canudos, Euclides não teria a mesma notoriedade. Foi inovador para a época, foi surpreendente. Ele podia simplesmente ter demonizado o sertanejo, ou até mesmo confirmado a opinião pública de que eram seres inferiores ao “povo branco” do litoral. Foi além, no entanto. Mostrou o lado que ninguém antes tinha ousado enxergar e o fez intelectualmente. Os dados podem ser considerados relevantes até muito depois de Canudos, pois explicam muito bem a situação dessa região brasileira.

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