Dia do Silêncio alerta sobre a importância de combater males da poluição sonora

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Mais de um bilhão de jovens correm o risco perder parte da audição por ouvir música alta, indica pesquisa americana; sabia como se proteger
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Dia do Silêncio alerta sobre a importância de combater males da poluição sonora
IBGE estima que existam mais de 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva no Brasil. Foto: Freepik

RYAN LEME

Da Redação*

A conscientização sobre os danos gerados por excesso de ruídos ganha um reforço no mês de maio. O Dia do Silêncio, comemorado no próximo domingo (07/05), foi instituído pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para incentivar o combate à poluição sonora, comum nas cidades urbanizadas, como as do ABC Paulista. Além de danos à audição, o acúmulo de barulhos altos provoca a queda na qualidade de vida, pode atrapalhar o sono, a concentração, e elevar os níveis de estresse no corpo.

A fonoaudióloga audiologista Danielle Levy explica que os danos causados pela exposição prolongada a barulhos altos, sejam eles contínuos ou intermitentes, podem causar traumas ao sistema auditivo. “Dependendo da intensidade do ruído, o dano poderá ser instantâneo, levando a um trauma acústico, outros ruídos podem levar ao desgaste da audição a médio ou longo prazo”, enfatiza.

Roberto Aguiar, 68, é morador de Santo André e aposentado, ele teve a audição prejudicada por conta da profissão que exerceu durante anos e conta que se tivesse essa tivesse essa orientação antes, teria usado proteções auditivas quando era mais novo. “Sempre trabalhei com construções, ouvia barulho de ferramentas e marteladas a todo momento, então fui perdendo a audição aos poucos. Não perdi completamente a audição, mas uso um aparelho auditivo na orelha esquerda.”

Segundo pesquisa realizada pela Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, mais de um bilhão de jovens de todo o mundo correm o risco de sofrer perda auditiva por ouvir música alta – seja em lugares de lazer, como festas e shows, ou utilizando fones de ouvido. Para evitar esse cenário, o Dia do Silêncio propõe a todos para que aproveitem um momento de calmaria, longe do tumulto e dos altos barulhos da cidade.

Mas essa recomendação é quase impossível para o DJ Andrew Sanchez, 26. O morador de São Bernardo lida com altos níveis de ruídos durante o trabalho e revela que nunca realizou nenhum tipo de acompanhamento médico, mas que toma cuidados durante seus eventos. “Tenho um fone de ouvido que isola todo o meu ouvido, e uso uma proteção de mergulho que também vai no ouvido. Ultimamente, uso em todas as festas porque fico do lado das caixas de som e isso piora muito. Quando eu não usava esses dois recursos, ouvia um chiado parecido com uma frequência de rádio após os shows.

Danielle alerta que a perda auditiva induzida por altos ruídos é irreversível. Depois de detectada, deve ser avaliada a necessidade do uso de um aparelho auditivo. Além disso, ela também dá recomendações para evitar a exposição a barulhos muito altos. “Quando estiver em ambiente que apresente fontes sonoras, procure ficar mais longe delas, como caixas de som, paredões. Evite o uso do fone de ouvido, principalmente em ambientes que tenham outros ruídos competindo, como ônibus e academias.”

Uma pessoa pode ser exposta a um limite de 85 a 90 decibéis, acima desse nível é prejudicial para a saúde, recomenda a OMS. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira para Qualidade Acústica nas principais ruas e avenidas da capital paulista revela que alguns pontos da cidade, como a Avenida Paulista, chegam a até 96 decibéis. Como não é possível simplesmente fugir desses ambientes, especialista sugere maior atenção.

O cuidado com os ruídos já virou regra para a estudante de arquitetura, Luana Castro, 19. A são-bernardense relata que não possui nenhum problema de audição, mas sempre toma cuidados para não se expor a altos ruídos durante o dia. “Antes eu usava fones de ouvido durante quase todo o dia, mas parei porque achei que estava escutando pior com o ouvido esquerdo. Fiz exames para identificar se havia algum problema, mas ainda bem que não identificaram nada.”

 *Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

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