Como falar de doença com as crianças?
Como falar de doença com as crianças?
O melhor é dizer a verdade e usar uma linguagem adequada para cada faixa etária
Não mentir, não subestimar a capacidade infantil de elaborar momentos difíceis do cotidiano e usar uma linguagem apropriada para cada faixa etária. Essas são as principais orientações que pais e mães devem ter em mente na hora de falar sobre tratamentos, doenças e saúde com os pequenos. As dicas valem tanto para os momentos em que o paciente é a própria criança como para os casos em que há parentes enfermos.
Embora as tentativas de “proteger” os filhos de notícias difíceis sejam, muitas vezes, uma forma de poupá-los da dor emocional, ao fazer isso os pais perdem a chance de ajudar as crianças na tarefa de elaborar os sentimentos de tristeza de maneira saudável. O ideal, para um melhor amadurecimento emocional da criança, é sempre falar a verdade, acolhendo-a e dando o suporte emocional necessário.
“O importante é nunca frustrarmos as indagações da criança e jamais, em hipótese alguma, mentir. A linguagem deve ser apropriada à fase da vida. É claro que algumas informações de caráter técnico devem ou podem ser evitadas, mas a orientação deve sempre ser fornecida”, garante o oncologista e especialista em câncer infantil, Vicente Odone.
Quando o tratamento envolve doenças de maior impacto, com limitações para a vida da criança, como a redução de atividades físicas e brincadeiras, é essencial que ela compreenda que aquele momento é temporário e que, passada essa fase mais difícil, será possível retomar sua rotina. A partir dessa compreensão, terá mais facilidade em acatar as orientações médicas. “A criança deve entender que tem uma doença diferente daquelas que já teve anteriormente e daquelas que seus amiguinhos costumam desenvolver. Ela deve estar ciente de que o momento vai exigir muito dos médicos, de seus pais e, sobretudo, dela”, completa Odone.
Em geral, a reação da criança frente à doença está bastante relacionada à forma como os pais e outros parentes abordam essa questão com ela após o diagnóstico. Quando o adulto oculta dela a verdade sobre a situação, pode deixá-la confusa e desamparada, pois possivelmente perceberá que algo aconteceu e que todos estão agindo de forma diferente. A criança deve ficar à vontade para exprimir os seus sentimentos. E, nesse contexto, o papel dos pais é fundamental. Eles devem conhecer tudo o que está sendo feito pelos médicos e estabelecer uma parceria com a equipe.
Mesmo quando a criança não está doente, falar sobre os cuidados com a saúde é importante para que ela perceba o quanto esse aspecto está presente na vida de todos e, principalmente, para que ela entenda qual é o seu papel social nesse contexto: pode ser apoiando algum amiguinho doente, por exemplo, ajudando nos cuidados com familiares acamados ou, mesmo, compreendendo sua própria suscetibilidade diante das doenças e adotando cuidados preventivos para construir uma rotina mais saudável ao longo da vida.
