Por que vamos às ruas desfilar
Por que vamos às ruas desfilar |
Em todo o país, no dia 7 de setembro algumas ruas abrem espaço para os desfiles comemorativos do Dia da Independência.
Nesta data, celebramos o dia em que D.Pedro I declarou o Brasil independente de Portugal.
Mas não é só no Brasil que algumas datas são marcadas por desfiles nas ruas. De onde vem esta tradição?
Celebrações reúnem várias pessoas em torno de um sentimento comum a elas. No caso dos desfiles em feriados nacionais, o sentimento é o de pertencer ao paí
Desde a centralização política em Estados Nacionais, várias datas foram vinculadas ao sentimento patriótico em cada nação.
Antes disso, monumentos e estátuas foram erguidos para exaltar batalhas vencidas ou heróis e suas conquistas em nome de um povo.
Comemorar feitos e vitórias é comum a todos os grupos humanos desde os tempos mais remotos.
Mas os desfiles cívicos e militares fizeram tradição a partir do tempo em que uma sociedade se uniu em torno de símbolos comuns a todos os que pertenciam a um estado, a uma nação.
E por que desfilam membros de forças armadas, militares?
Porque a maioria das conquistas nacionais foi realizada com o envolvimento deles, de homens e grupos diversos que lutaram por uma bandeira.
Há quem afirme que os desfiles militares são uma herança do Regime Militar de 1964-1985 no Brasil. É verdade que os militares deste período de autoritarismo estimularam tais festividades.
Era um momento oportuno para exaltar o patriotismo de todos e utilizar a força de multidões emocionadas para difundir e fortalecer a ideologia do regime.
Ideologia essa que escondia os horrores e equívocos deste tempo.
Antes disso, a ditadura de Getúlio Vargas também enalteceu os desfiles, dando a eles um caráter cívico marcante.
Era importante para o governo que o patriotismo pulsasse em todos os membros da sociedade, que todos exaltassem símbolos nacionais como a bandeira e os hinos.
E, para tanto, este sentimento foi cobrado das escolas, trazendo crianças para os desfiles e marchas patrióticos.
Mas nenhum destes dois períodos históricos brasileiros inventou a tradição dos desfiles cívico-militares.
Como vimos, ela é anterior a estes períodos e não é uma exclusividade brasileira.
Talvez estas fases históricas tenham, sim, contribuído para nos causar um certo desgosto a efusões patrióticas.
E talvez por isso muitos considerem os desfiles de 7 de setembro anacrônicos, com fanfarras e pessoas marchando que não fazem sentido algum. A militarização e o autoritarismo deixaram marcas profundas em nossa sociedade.
Porém, não há indícios de que a tradição vá acabar.
Assim como os franceses não deixam de planejar seus desfiles no dia 14 de julho, dia da Queda da Bastilha, tampouco o Dia da Independência deixará de desfilar em nossas ruas.




